sexta-feira, 6 de abril de 2018

Um Será Levado


Jonathan Crosby

Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto1

Então, estando dois no campo, será levado um, e

deixado o outro; estando duas moendo no moinho,

será levada uma, e deixada outra. (Mateus 24:40-41)

Digo-vos que naquela noite estarão dois numa

cama; um será tomado, e outro será deixado. Duas

estarão juntas, moendo; uma será tomada, e outra

será deixada. Dois estarão no campo; um será

tomado, o outro será deixado. (Lucas 17:34-36)

Essas palavras se aplicam ao arrebatamento secreto dos santos ou

a algum outro evento?

Nosso Senhor Jesus Cristo usou essas palavras para advertir sobre a

destruição vindoura de Jerusalém pelo exército romano no ano 70 d.C. Os

levados são aqueles que foram destruídos por esse súbito evento, e os

deixados são aqueles que ouviram às Suas advertências e escaparam. A

advertência desse julgamento severo da parte de Deus e o possível escape para

os crentes são temas comuns no Novo Testamento.

1. Nossos textos são Mateus 24:40-41 e Lucas 17:34-36.

2. Leia Mateus 24:1-50 e Lucas 17:20-37.

3. Não existe nenhum arrebatamento secreto ensinado na Bíblia. O retorno do

nosso Senhor envolve uma única ressurreição, tanto de justos como injustos

(João 5:28-29; 1Ts. 4:13-18; Atos 24:15).

4. Não existe nenhum arrebatamento secreto ensinado na Bíblia. Essa idéia,

tanto em palavra como doutrina, é desconhecida na Bíblia e desconhecida

pelos homens antes do surgimento dos seguidores de Edward Irving na

Inglaterra, por volta de 1830.

5. Não existe nenhum arrebatamento secreto ensinado na Bíblia. A visão

comum de aviões colidindo devido ao “arrebatamento” dos pilotos é produto

da imaginação dos falsos mestres.

6. Não existe nenhum arrebatamento secreto ensinado na Bíblia. A

especulação moderna de um “arrebatamento” tem tanta base bíblica quanto as

falsas predições de William Miller para o retorno de Cristo em 1844.

7. O contexto geral de Mateus 24:40-41 é o capítulo inteiro, que está lidando

com a vinda do Senhor Jesus em poder e juízo sobre a nação de Israel em 70

d.C.

8. O contexto imediato é uma advertência pessoal “daquele dia e hora”

(24:36). Tendo predito que todos os eventos ocorreriam dentro daquela

geração (24:34-35), nosso Senhor exorta à vigilância e fidelidade devido ao

tempo desconhecido daqueles eventos.

9. O contexto preciso é o exemplo de um julgamento do Antigo Testamento

que pegou os homens desprevenidos (24:37-39). O dilúvio veio quando os

homens estavam despreocupados e pegou todos eles. A vinda do Filho do

homem é Sua vinda em juízo sobre a nação (Mt. 16:28).

10. Os levados são comparados àqueles que o dilúvio de Noé levou – os

levados são os ímpios (Mateus 24:39; Lucas 17:27). Os levados não são os

santos.2

11. O contexto conclusivo é uma exortação à vigilância devido ao tempo

desconhecido desse julgamento súbito vindo sobre os desatentos (24:42-15).

Paulo incitou os Hebreus à maior fidelidade em seus deveres à luz do mesmo

evento (Hebreus 10:25).

12. Malaquias advertiu sobre o Senhor vindo em juízo sobre os judeus de Sua

geração (Ml. 3:1-6; 4:1-6). Não se engane – Elias é João o Batista (Mt. 11:7-15;

17:10-13).

13. João o Batista advertiu sobre Jesus vindo em juízo sobre sua geração (Mt.

3:10-12).

14. Jesus advertiu sobre Sua gloriosa vinda em juízo sobre aquela geração

(Mateus 16:28; 21:33-46; 22:1-10; 26:64; Lucas 12:49; 23:28-31).

15. Pedro advertiu sobre a vinda em juízo sobre aquela geração (Atos 2:40).

16. Paulo advertiu sobre a vinda em juízo sobre aquela geração (1Ts. 2:16; Hb.

10:25).

17. Tiago advertiu sobre a vinda em juízo sobre aquela geração (Tiago 5:1-9).

18. O contexto geral de Lucas 17:34-36 são os versículos a partir de 17:20 até

o final do capítulo, que lidam com a vinda do reino do Senhor em poder e

glória no ano 70 d.C.

2 Contrário ao que ensina o dispensacionalismo. (N. do T.)

19. O contexto de Lucas (17:20-37) confirma nossa interpretação combinando

aqueles eventos para aquela geração (Mt. 24:1-35) com as advertências que

seguem (Mt. 24:36-50).

20. Pelo menos alguns dos discípulos então vivos seriam inclusos nessa

situação (17:22).

21. Lucas adiciona a advertência de não descer do telhado da casa para pegar

alguma coisa (Lucas 17:31), visto que tal atraso poderia custar-lhes a vida na

subitaneidade do cerco romano. Tais palavras não têm nenhum significado à

luz do “arrebatamento”, pois sobre o mesmo é dito que acontecerá num

piscar de olhos, sem qualquer advertência! Quem teria tempo para ir e reunir

coisas para o arrebatamento?

22. Lucas também adiciona a advertência da mulher de Ló (Lucas 17:32), visto

que a destruição ocorreria a qualquer um que demorasse sair da cidade

enquanto os exércitos se aproximassem (Lucas 21:20-21).

23. Os levados seriam levados por águias comendo as carcaças dos judeus

(Lucas 17:37), e essa figura é usada pelo nosso Senhor no meio das coisas para

aquela geração (Mt. 24:28). E quando os judeus se reuniram em Jerusalém

para a Páscoa, a saga foi iniciada.

24. Esse foi um evento do qual o escape era possível para os crentes que

observassem os sinais e agissem de acordo com eles (Mt. 24:22; Lucas 21:36;

Atos

25. Entender essas palavras à luz do ano 70 d.C. não é novidade, pois John

Gill o Batista (1697-1771), Adam Clarke o Metodista (1715-1832), Albert

Barnes o Presbiteriano (1798-1870) e muitos outros comentaristas entenderam

a profecia dessa forma também.

Fonte: http://www.letgodbetrue.com

domingo, 25 de março de 2018

A História da canonização do Novo Testamento


Trabalho de doutorado em Exegese do Novo Testamento

Introdução. O que virá adiante faz parte do meu doutorado, onde exclui o evangelho de Lucas, em especifico como ponto de partida o capítulo 16 e em especial o versículo 19 em diante.

I. Considerações Preliminares.
O cânon é a coleção de 27 livros que a igreja (geralmente) recebe como parte construtiva do Novo Testamento. A história do cânon é a história do processo pelo qual estes livros foram reunidos e o valor deles oficialmente gerou o Novo Testamento oficialmente reconhecido. O processo de canonização foi gradual, sendo avançado por necessidades definidas, e, entretanto inquestionavelmente contínuo. Há duas considerações de sua construção. Estes são:

1. Os cristãos primitivos tiveram o Antigo Testamento:

Os cristãos primitivos tiveram em mãos o que para eles era a Bíblia, isto é, os livros do Antigo Testamento. Estes foram usados a uma extensão surpreendente na instrução Cristã. Durante um século inteiro depois da morte de Jesus.

2. Nenhuma intenção de escrever um Novo Testamento:
Quando iniciaram o trabalho de escrever uma carta, ninguém teve o propósito definido de contribuir para a formação do que nós chamamos hoje de “Bíblia.” Todos os escritores do Novo Testamento olharam para “o fim” como algo próximo. As suas palavras eram apenas para satisfazer as necessidades definidas em suas nas vidas e com pessoas a eles relacionadas. Não houve nenhum pensamento de criar uma literatura sagrada nova. As circunstâncias e influências que provocaram este resultado serão brevemente fixado adiante.

II. O processo em três fases.

Para conveniência de definição de impressão o processo inteiro pode ser separado em três fases:

a) O tempo dos apóstolos até 170 d.C;

b) Os anos finais do 2º século e o inicio do 3º (170-220 d.C);

c) Do 3º ao 4º século.
No primeiro se busca as evidências do crescimento em avaliação ao valor estranho das escritas do Novo Testamento; no segundo se descobri o reconhecimento claro, uma grande parte destas escritas como sagrado e autorizado; no terceiro a aceitação do cânon completo tanto no Leste como no Oeste.


1. Dos Apóstolos a 170 d.C:


1.1. Clemente de Roma; Inácio; Policarpo:
O primeiro período estende-se a 170 d.C. Ao final do 1º século todos os livros do Novo Testamento eram existentes. Eles eram, como tesouros de determinadas igrejas, extensamente separados e honrados como contendo a palavra de Jesus ou o ensino dos apóstolos. Os primeiros livros a serem reconhecidos eram aqueles que gozavam a autoridade de Jesus.

O crescimento da igreja e a partida dos apóstolos para terras distantes enfatizaram o valor dos escritos do Novo Testamento. No inicio de período primitivo houve o desejo de que cada igreja obtivesse instrução de cada carta para que houvesse um meio de conduta ideal.

Policarpo (110 d.C?) escrevendo aos Filipenses: “eu recebi as vossas cartas como também as de Inácio. Vocês recomendam que eu envie para a Síria; Eu tão farei pessoalmente ou por outros meios. Em retorno, eu lhes envio a carta de Inácio como também outras que eu tenho em minhas mãos as quais vocês pediram. Elas servirão para edificar a fé e a perseverança" (Carta aos Filipenses, XIII).

Esta é uma ilustração do que deve ter acontecido para avançar o conhecimento das escritas dos apóstolos. Até que ponto os livros do Novo Testamento começaram a serem difundidos é impossível dizer, mas é justo deduzir que uma coleção das epístolas de Paulo já existia no período de Policarpo quando escreveu aos filipenses e quando Inácio escreveu as suas sete cartas para as igrejas da Ásia Menor, i.e. aproximadamente 115 d.C.

Clemente de Roma, em 95 d.C, escreveu uma carta em nome dos cristãos de Roma para os de Corinto. Na carta ele faz menção de registros encontrados em Mt, Lc, dando isto uma retribuição grátis (veja capítulos 46 e 13); ele foi influenciado muito pela Epístola aos hebreus (veja capítulos 9, 10, 17, 19, 36). Ele reconhece romanos, coríntios, e também há menção de 1 Tm, Tt, 1 Pe e Ef.

As Epístolas de Inácio (115 d.C) tem muita semelhança ao conteúdo dos evangelhos em vários lugares (Ef 5; Rm 6; 7) e incorpora muitas relações em sua cartas semelhantes a das epístolas Paulinas. A Epístola de Policarpo faz uso de filipenses, e além disto cita nove das outras epístolas de Paulo. Inácio cita Mateus, aparentemente de memória; também 1 Pedro e 1 João.

Com respeito ao que Clemente, Policarpo e Inácio escreveram não é o bastante para dizer que eles nos trazem reminiscências ou cotações disto ou daqueles livros. O ensino dos doze apóstolos (aproximadamente 120 d.C em sua forma presente); a Epístola de Barnabé (aproximadamente 130 d.C) e o Pastor de Hermas (aproximadamente 130 d.C). Estes exibem os mesmos fenômenos assim como está atestado nas escritas de Clemente, Inácio e Policarpo.



2. O valor dos escritos:


2.1. Os gnósticos, Marcion:
Basilides considerado o grande mestre que ensinou na Alexandria durante o reinado de Adriano (d.C 117-38), teve por tradição a autoridade dos apóstolos Matias e Glaucias, intérprete alegado de Pedro, ele testemunhou Mateus, Lucas, João, Romanos, 1 Coríntios, Efésio, e Colossenses no esforço para recomendar as suas doutrinas.

O mais notável dos Gnósticos era Marcion, um nativo de Pontus. Ele foi para Roma (aproximadamente 140 d.C). Em defesa das suas visões, ele formou o seu próprio cânon que consistia no Evangelho de Lucas e dez das epístolas de Paulo. Ele rejeitou as Epístolas Pastorais, Hebreus, Mateus, Marcos, João, Atos, as epístolas católicas e o Apocalipse, e fez uma recensão do evangelho de Lucas e as epístolas de Paulo que ele aceitava. A importância do seu trabalho está no fato de que é ele quem dá a primeira evidência clara da canonização das epístolas de Paulo.

2.2. De 170 d.C a 220 d.C:
O período de 170 d.C a 220 d.C. Inicia a idade de uma literatura teológica volumosa, ocupando os grandes assuntos do cânon da igreja e do credo. É o período dos grandes nomes como: Irineu, Clemente de Alexandria, e Tertuliano, representando a Ásia Menor, Egito e a África.

2.2.1. Irineu.
Nasceu na Ásia Menor, viveu e ensinou em Roma e se tornou o bispo de Lions posteriormente. Fora discípulo de Policarpo, o qual, também fora discípulo do apóstolo João. Defensor sério da verdade, ele fez do Novo Testamento em grande parte a sua autoridade. Os quatro Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, e a maioria das epístolas católicas e o Apocalipse é para ele a Bíblia em o sentido mais pleno da verdade o qual ele considerou genuínos e autorizados, assim como em seu tempo o Antigo Testamento já era. Tertuliano segue a mesma posição, enquanto Clemente de Alexandria aceita apenas os quatro evangelhos como a “Bíblia.” No final do 2º século foi resolvido o cânon dos evangelhos. O mesmo aconteceu com as epístolas de Paulo.

Irineu fez mais de duzentas citações de Paulo, ele foi considerado o maior defensor das epístolas de Paulo. Pode se dizer que o cânon do Novo Testamento era para ele os evangelhos e os apóstolos. O título Novo Testamento parece ter sido usado pela primeira vez por um escritor desconhecido contra o Montanhismo (aproximadamente 193 d.C). Após Orígenes e escritos posteriores é que esse termo é utilizado.


2.3. O Fragmento Muratoriano.
O fragmento muratoriano é assim denominado porque sua descoberta em 1740 se deu pelo bibliotecário de Milão, Muratori. Sua datação está perto do fim do 2º século, é de interesse vital no estudo da história do cânon, pois registra uma lista dos livros do Novo Testamento. Contêm os Evangelhos (inicia com Marcos, mas Mateus é claramente incluído), Atos, as epístolas de Paulo, Apocalipse, 1 e 2 João e Judas.

Não menciona 1 e 2 Pedro, Hebreus, Tiago. Nesta lista se tem a posição do cânon do final do 2º século. Sete livros não tiveram contudo um lugar seguro ao lado dos evangelhos, e as cartas de Paulo como também as igrejas da palestina e síria rejeitaram o Apocalipse por muito tempo, enquanto algumas das epístolas católicas estavam no Egito considerado duvidoso. A história da aceitação final do Cânon e seus livros só se deram perto do inicio do terceiro século.

3. 3º e 4º Séculos:


3.1. Orígenes:
Nasceu na Alexandria aproximadamente em 185 d.C. Em 203 foi designado bispo, e morreu em 254. A sua fama se deu na habilidade com os manuscritos, ele foi considerado como o maior exegeta, entretanto ele trabalhou laboriosamente e prosperamente em outros campos.

O seu testemunho é de valor alto, não simplesmente por causa dos seus próprios estudos, mas também por causa do seu conhecimento o qual estar em debates em centros do cristianismo no mundo em seu tempo. Apenas os Evangelhos, as epístolas de Paulo e Atos, que ele aceitou como canônico.

3.1. Dionísio:
Outro nome notável deste século é Dionísio de Alexandria, um discípulo de Orígenes (morreu 265). A discussão mais interessante dele está em considerar o livro do Apocalipse a um João desconhecido, mas ele não ignora sua inspiração.

É um fato singular que a igreja ocidental o aceitou logo de inicio, enquanto sua posição no oriente foi variável. Com respeito às epístolas católicas Dionísio apóia Tiago, 2 e 3 João, mas não 2 Pedro e Judas.

3.2. Cipriano:
No Oeste o nome de Cipriano, bispo de Cartago (248-58 d.C), era muito influente. Ele estava muito comprometido em controvérsia, mas um homem de grande força pessoal. O livro do Apocalipse que honrou altamente, mas concernente ao livro de hebreus ele não considerava como canônico. Ele também recorre a só dois das epístolas católicas, 1 Pedro e 1 João.

3.3. Eusébio:
Inicio do 4º século (270-340 d.C), bispo de Cesárea antes de 315. Os critérios para cada um deles eram: autenticidade e apostolicidade, e na lista houve os Evangelhos, Atos, e as epístolas de Paulo. Entretanto os livros disputados, i.e. Os que foram reconhecimento parcialmente foram: Tiago, Judas, 2 Pedro e 2 João. Já o livro do Apocalipse ele não estava seguro. Vê-se que não houve muito avanço no 3º século. Tudo isso demonstra que nenhuma decisão oficial e nem uniformidade ao canon foi uso da igreja. Na metade do 4º século repetiu-se e foram feitos esforços para acabar com a incerteza.

3.4. Atanásio:
Atanásio em uma de suas cartas pastorais com relação à publicação do calendário eclesiástico dá uma lista dos livros que ele teve como Bíblia, e na porção do Novo Testamento são incluídos todos os 27 livros que nós reconhecemos agora. “Estes são a fonte da salvação", ele escreve.

Gregório de Nazianzo (morreu 390 d.C) também publicou uma lista que omite Apocalipse, como fez Cirilo de Jerusalém (morreu 386), e totalmente ao término do século (4º) Isidoro fala do “cânon de verdade, como Escritura Divina”. Durante um tempo considerável o livro do Apocalipse não foi aceito nas igrejas palestinas ou sírias.
Atanásio ajudou para a sua aceitação na igreja de Alexandria. Porém, algumas diferenças de opinião continuaram. A igreja da síria não aceitou todas as epístolas católicas.

4. Concilio de Cartago, Jerônimo; Agostinho:

O Concilio de Cartago em 397, decretou que os livros que não estavam inseridos na Bíblia não deveriam ser lidos nas igrejas e nem considerados como Escrituras Divinas.

Depois que houve um empenho para atestar a unanimidade, mesmo assim houve divergência de julgamento. Os livros que tinham variado por estes séculos eram o Apocalipse e as cinco epístolas católicas. O avanço do Cristianismo por Constantino teve muito significado para a recepção do grupo inteiro dos livros em sua época.
A tarefa que o imperador deu a Eusébio para preparar “cinqüenta cópias da Escritura Divina” estabeleceu um padrão que ao seu tempo deu reconhecimento aos livros que até então eram duvidosos. No Oeste, Jerônimo e Agostinho eram os protagonistas na determinação do cânon. A publicação da Vulgata fez determinar o assunto.

A conclusão que se chega é que o elemento humano fora o envolvimento no processo inteiro de formar o Novo Testamento. Ninguém disputou um dominio providencial de tudo. É bom ter em mente que todos os livros não têm o mesmo título no cânon até a sua história de atestação. Porém, claro e cheio e unânime foi desde o princípio o julgamento nos Evangelhos, Atos, as epístolas de Paulo, 1 Pedro e 1 João.



sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Você sabia como surgiu a hierarquia terrena da igreja a partir do início do século II?.



Você sabia como surgiu  a hierarquia terrena da igreja a partir do início do século II?.   No início, os termos bispo e presbítero eram a mesma coisa. Algum tempo depois, inspirada na organização do Império Romano, a igreja começou a se transformar numa organização religiosa, e alguns presbíteros começaram a controlar outros presbíteros das comunidades locais de sua região. Aqueles foram chamados de bispos, e esses continuaram sendo presbíteros. Gradativamente, os bispos foram ganhando domínio sobre as igrejas locais. Contrariando os ensinos de Jesus, pouco a pouco, os mesmos conceitos de hierarquia romana e a hierarquia religiosa do judaísmo foram levados para o meio cristão. Até mesmo alguns termos da hierarquia romana vieram parar no seio da igreja como: diocese, paróquia, prefeito, vigário, etc. Veja como surgiu a hierarquia eclesiástica.   No ano 115, Inácio de Antioquia já defendia a superioridade do bispo sobre os presbíteros. Numa carta que ele escreveu à igreja de Filadélfia. Inácio é o primeiro a articular uma ordem tríplice de ministério constituindo em bispo,presbítero e diáconos. Dizia ele os três são  importante,mas Inácio destaca mais a autoridade absoluta de bispo. Historicamente eu digo é de onde surgiu esse poder pagão de superioridade eclesiástica no seio da igreja, uns sendo mais que  outro não tem base no Evangelho. (Valdir Davalos)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil.

A Alma Católica dos Evangélicos no Brasil. Os evangélicos no Brasil nunca conseguiram se livrar totalmente da influência do Catolicismo Romano. Por séculos, o Catolicismo formou a mentalidade brasileira, a sua maneira de ver o mundo ("cosmovisão"). O crescimento do número de evangélicos no Brasil é cada vez maior – segundo o IBGE, seremos 40 milhões esse ano de 2006 – mas há várias evidências de que boa parte dos evangélicos não tem conseguido se livrar da herança católica.
É um fato que conversão verdadeira (arrependimento e fé) implica numa mudança espiritual e moral, mas não significa necessariamente uma mudança na maneira como a pessoa vê o mundo. Alguém pode ter sido regenerado pelo Espírito e ainda continuar, por um tempo, a enxergar as coisas com os pressupostos antigos. É o caso dos crentes de Corinto, por exemplo. Alguns deles haviam sido impuros, idólatras, adúlteros, efeminados, sodomitas, ladrões, avarentos, bêbados, maldizentes e roubadores. Todavia, haviam sido lavados, santificados e justificados "em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus" (1Co 6.9-11) sem que isso significasse que uma mudança completa de mentalidade houvesse ocorrido com eles. Na primeira carta que lhes escreve, Paulo revela duas áreas em que eles continuavam a agir como pagãos: na maneira grega dicotômica de ver o mundo dividido em matéria e espírito (que dificultava a aceitação entre eles das relações sexuais no casamento e a ressurreição física dos mortos – capítulos 7 e 15) e o culto à personalidade mantido para com os filósofos gregos (que logo os levou à formar partidos na igreja em torno de Paulo, Pedro, Apolo e mesmo o próprio Cristo – capítulos 1 a 4). Eles eram cristãos, mas com a alma grega pagã.

Da mesma forma, creio que grande parte dos evangélicos no Brasil tem a alma católica. Antes de passar às argumentações, preciso esclarecer um ponto. Todas as tendências que eu identifico entre os evangélicos como sendo herança católica, no fundo, antes de serem católicas, são realmente tendências da nossa natureza humana decaída, corrompida e manchada pelo pecado, que se manifestam em todos os lugares, em todos os sistemas e não somente no Catolicismo. Como disse o reformado R. Hooykas, famoso historiador da ciência, “no fundo, somos todos romanos” (Philosophia Liberta, 1957). Todavia, alguns sistemas são mais vulneráveis a essas tendências e as absorveram mais que outros, como penso que é o caso com o Catolicismo no Brasil. E que tendências são essas?
1) O gosto por bispos e apóstolos – Na Igreja Católica, o sistema papal impõe a autoridade de um único homem sobre todo o povo. A distinção entre clérigos (padres, bispos, cardeais e o papa) e leigos (o povo comum) coloca os sacerdotes católicos em um nível acima das pessoas normais, como se fossem revestidos de uma autoridade, um carisma, uma espiritualidade inacessível, que provoca a admiração e o espanto da gente comum, infundindo respeito e veneração. Há um gosto na alma brasileira por bispos, catedrais, pompas, rituais. Só assim consigo entender a aceitação generalizada por parte dos próprios evangélicos de bispos e apóstolos auto-nomeados, mesmo após Lutero ter rasgado a bula papal que o excomungava e queimá-la na fogueira. A doutrina reformada do sacerdócio universal dos crentes e a abolição da distinção entre clérigos e leigos ainda não permearam a cosmovisão dos evangélicos no Brasil, com poucas exceções.
2) A idéia que pastores são mediadores entre Deus e os homens – No Catolicismo, a Igreja é mediadora entre Deus e os homens e transmite a graça divina mediante os sacramentos, as indulgências, as orações. Os sacerdotes católicos são vistos como aqueles através de quem essa graça é concedida, pois são eles que, com as suas palavras, transformam, na Missa, o pão e o vinho no corpo e no sangue de Cristo; que aplicam a água benta no batismo para remissão de pecados; que ouvem a confissão do povo e pronunciam o perdão de pecados. Essa mentalidade de mediação humana passou para os evangélicos, com algumas poucas mudanças. Até nas igrejas chamadas históricas os crentes brasileiros agem como se a oração do pastor fosse mais poderosa do que a deles, e que os pastores funcionam como mediadores entre eles e os favores divinos. Esse ranço do Catolicismo vem sendo cada vez mais explorado por setores neopentecostais do evangelicalismo, a julgar por práticas já assimiladas como “a oração dos 318 homens de Deus”, “a prece poderosa do bispo tal”, “a oração da irmã fulana, que é profetisa”, etc.
3) O misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados – O Catolicismo no Brasil, por sua vez influenciado pelas religiões afro-brasileiras, semeou misticismo e superstição durante séculos na alma brasileira: milagres de santos, uso de relíquias, aparições de Cristo e de Maria, objetos ungidos e santificados, água benta, entre outros. Hoje, há um crescimento espantoso entre setores evangélicos do uso de copo d’água, rosa ungida, sal grosso, pulseiras abençoadas, pentes santos do kit de beleza da rainha Ester, peças de roupa de entes queridos, oração no monte, no vale; óleos de oliveiras de Jerusalém, água do Jordão, sal do Vale do Sal, trombetas de Gideão (distribuídas em profusão), o cajado de Moisés... é infindável e sem limites a imaginação dos líderes e a credulidade do povo. Esse fenômeno só pode se explicado, ao meu ver, por um gosto intrínseco pelo misticismo impresso na alma católica dos evangélicos.
4) A separação entre sagrado e profano – No centro do pensamento católico existe a distinção entre natureza e graça idealizada e defendida por Tomás de Aquino, um dos mais importantes teólogos da Igreja Católica. Na prática, isso significou a aceitação de duas realidades co-existentes, antagônicas e freqüentemente irreconciliáveis: o sagrado, substanciado na Santa Igreja, e o profano, que é tudo o mais no mundo lá fora. Os brasileiros aprenderam durante séculos a não misturar as coisas: sagrado é aquilo que a gente vai fazer na Igreja: assistir Missa e se confessar. O profano – meu trabalho, meus estudos, as ciências – permanece intocado pelos pressupostos cristãos, separado de forma estanque. É a mesma atitude dos evangélicos. Falta-nos uma mentalidade que integre a fé às demais áreas da vida, conforme a visão bíblica de que tudo é sagrado. Por exemplo, na área da educação, temos por séculos deixado que a mentalidade humanista secularizada, permeada de pressupostos anticristãos, eduque os nossos filhos, do ensino fundamental até o superior, com algumas exceções. Em outros países os evangélicos têm tido mais sucesso em manter instituições de ensino que além de serem tão competentes como as outras, oferecem uma visão de mundo, de ciência, de tecnologia e da história oriunda de pressupostos cristãos. Numa cultura permeada pela idéia de que o sagrado e profano, a religião e o mundo, são dois reinos distintos e frequentemente antagônicos, não há como uma visão integral surgir e prevalecer a não ser por uma profunda reforma de mentalidade entre os evangélicos.
5) Somente pecados sexuais são realmente graves – A distinção entre pecados mortais e veniais feita pelo romanismo católico vem permeando a ética brasileira há séculos. Segundo essa distinção, pecados considerados mortais privam a alma da graça salvadora e condenam ao inferno, enquanto que os veniais, como o nome já indica, são mais leves e merecem somente castigos temporais. A nossa cultura se encarregou de preencher as listas dos mortais e dos veniais. Dessa forma, enquanto se pode aceitar a “mentirinha”, o jeitinho, o tirar vantagem, a maledicência, etc., o adultério se tornou imperdoável. Lula foi reeleito cercado de acusações de corrupção. Mas, se tivesse ocorrido uma denúncia de escândalo sexual, tenho dúvidas de que teria sido reeleito, ou que teria sido reeleito por uma margem tão grande. Nas igrejas evangélicas – onde se sabe pela Bíblia que todo pecado é odioso e que quem guarda toda a lei de Deus e quebra um só mandamento é culpado de todos – é raro que alguém seja disciplinado, corrigido, admoestado, destituído ou despojado por pecados como mentira, preguiça, orgulho, vaidade, maledicência, entre outros. As disciplinas eclesiásticas acontecem via de regra por pecados de natureza sexual, como adultério, prostituição, fornicação, adição à pornografia, homossexualismo, etc., embora até mesmo esses estão sendo cada vez mais aceitáveis aos olhos evangélicos. Mais um resquício de catolicismo na alma dos evangélicos?
O que é mais surpreendente é que os evangélicos no Brasil estão entre os mais anti-católicos do mundo. Só para ilustrar (e sem entrar no mérito dessa polêmica) o Brasil é um dos poucos países onde convertidos do catolicismo são rebatizados nas igrejas evangélicas. O anti-catolicismo brasileiro, todavia, se concentrou apenas na questão das imagens e de Maria, e em questões éticas como não fumar, não beber e não dançar. Não foi e não é profundo o suficiente para fazer uma crítica mais completa de outros pontos que, por anos, vêm moldando a mentalidade do brasileiro, como mencionei acima. Além de uma conversão dos ídolos e de Maria a Cristo, os brasileiros evangélicos precisam de conversão na mentalidade, na maneira de ver o mundo. Temos de trazer cativo a Cristo todo pensamento e não somente os nossos pecados. Nossa cosmovisão precisa também de conversão (2Coríntios 10.4-5).

Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais católicas de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas, me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro não é, na verdade, um filho da Igreja Católica medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma católica. Por. Augustus Nicodemus.

Um Será Levado

Jonathan Crosby Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto 1 Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outr...