sábado, 9 de dezembro de 2017

A doutrina da imputação



E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta. Fm 18

Numa forma bastante simplificada, imputar significa “colocar na conta de”, “atribuir a”. Nas Escrituras, o termo imputar denota atribuir alguma coisa a uma pessoa ou encarregar alguém de algo ou, ainda, lançar alguma coisa na conta de alguém. Num sentido judicial, a imputação pode ser a base para recompensa e punição. O termo imputar e seus cognatos são utilizados várias vezes para traduzir o verbo hebraico chashabh e o verbo grego logizomai (ISBE).

O conceito está intimamente relacionado a três grandes verdades teológicas: o pecado original (a culpa de Adão é imputada a todos os seus descendentes), a expiação (nossos pecados são imputados a Cristo) e a justificação (a justiça de Cristo é imputada a nós). Ou seja, a imputação está fortemente ligada à reconciliação entre Deus e o homem. Na carta de Paulo a Filemon a idéia é belamente exemplificada. Paulo pede a Filemon que se reconcilie com Onésimo e para isso aceita que a dívida deste seja lançada em sua própria conta.

A imputação da culpa de Adão à sua descendência

O pecado original é um defeito da natureza humana causada pela Queda e consiste na perda e, consequentemente, na ausência da retidão original. O pecado original consiste na culpa hereditária, imputada a toda descendência de Adão e na corrupção hereditária, transmitida a todos os descendentes de Adão e Eva por geração.

No que se refere à imputação do pecado original, os teólogos constumam distinguir, e discordar quanto, a imputação mediata e imediata. Imputação mediata refere-se à divina atribuição da culpa pelo pecado por causa da corrupção hereditária de todas as pessoas. Assim, a imputação mediata é dependente da corrupção individual dos seres humanos. Por outro lado, a imputação imediata refere-se à divina atribuição de culpa a todas as pessoas por causa da Queda, isto é, a culpa pela Queda é atribuída a toda descendência de Adão e Eva à parte de sua corrupção hereditária. Os luteranos tendem a reconhecer tanto a imputação mediata quanto a imediata, os reformados, seguindo a teologia dos pactos e sua visão de Adão como representante federal, tendem a aceitar a imputação imediata apenas, excluindo a imputação mediata. A escola de Saumur vai na direção contrária, ensinando a imputação mediata apenas, o que é rejeitado pelos calvinistas, pois é prejudicial à imputação da satisfação de Cristo. Os socianianos e alguns arminianos negam qualquer tipo de imputação do pecado. Pelágio, acreditava que Deus criava todas as almas diretamente, por isso cada pessoa nascia inocente e imaculada. Para Armínio, a culpa pelo pecado de Adão não era imputada diretamente, mas apenas quando o homem aliava-se a esse pecado pelos seus próprio. Embora não considerasse que o homem nasce com a retidão original, entendia que “Deus concede a cada indivíduo, desde a primeira aurora da consciência, luz que é suficiente para anular a influência da depravação herdada”.

Paulo escreve que “por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram” (Rm 5:12). Esclarece o apóstolo que “pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores”, ou seja, o pecado de um foi imputado a toda a raça, haja vista ser este homem representante de todos, por isso que “todos morrem em Adão” (1Co 15:22).

A imputação dos nossos pecado a Cristo

Além da culpa herdada pelo pecado de Adão, cada pessoa é culpada pelos seus próprios pecados. Quanto ao Senhor Jesus, devido à sua concepção sobrenatural, nasceu livre da culpa pelo pecado de Adão e durante toda sua vida nunca pecou. Porém, quando “Aquele que não conheceu pecado” morreu como nosso substituto, Deus “O fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5:21). Então, Cristo estava “carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça” (1Pe 2:24), pois “o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is 53:6).

Embora o termo imputação não apareça em textos bíblicos sobre a transferência de nossos pecados a Cristo, o conceito é tipificado no sistema sacrifical do Antigo Testamento. “E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto” (Lv 16:21-22). A aplicação disso a Cristo é visto, por exemplo, em Hb 2:9: “aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”.

A imputação da justiça de Cristo a nós

De Gênesis a Apocalipse a Bíblia ensina que a condição do pecador é a de “um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Ap 3:17, cf. Gn 3:7). Diante da expectativa de encontrar-se com Deus, sua reação instintiva é de vestir-se de justiça própria, mas o Senhor considera “todas as nossas justiças como trapo da imundícia” (Is 64:6). Somente quando Deus nos veste com Sua justiça, podemos dizer “regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias” (Is 66:10). E este vestir de Deus vem a nós por imputação.

A imputação da satisfação de Cristo é a base da justificação pela graça mediante a fé. O pagamento de Cristo pelos pecados é imputado a nós, de forma que não precisamos mais pagar pelos nossos pecados. Os injustos são considerados justos sobre o fundamento de sua fé. E como a justa satisfação de Cristo é imputada imediatamente aos crentes, sem que nenhuma justiça esteja presente neles ou quallquer satisfação seja feita por eles antes da imputação, então a imputação do pecado também deve ser imediata.

A imputação da retidão de Cristo ao crente é o tema do quarto capítulo de Romanos, além de outras passagens. Pela Sua vida de perfeita obediência, Jesus é chamado de “o Santo e Justo” (At 3:14). Jesus viveu uma vida santa não apenas para Si, “mas também por nossa causa, posto que a nós igualmente nos será imputado, a saber, a nós que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação” (Rm 4:24-25). É somente por causa da justiça de Cristo a nós atribuída que poderemos, naquele dia, ser apresentados “imaculados diante da sua glória” (Jd 24). Aliás, em qualquer momento, nós so podemos ficar em pé na presença de Deus por causa da justiça que Cristo atribuiu a nós pela Sua morte sacrificial em nosso favor.

Implicações

É impossível referir todas as implicações que podemos derivar da doutrina da imputação. Refiro-me a três delas, apenas. A primeira, é que sendo descendência de Adão, não nascemos inocentes e somos culpados diante de Deus. Considerar isso injusto é também insurgir-se contra a justificação pela fé, pois o mecanismo, por assim dizer, é o mesmo. Somos culpados diante de um Deus três vezes santo.

Em segundo lugar, é que sendo justificados através da imputação da justiça de Cristo, não temos do que nos gloriar diante de Deus. Não somos menos merecedores do inferno do que aqueles que para lá vão. Se podemos comparecer diante de Deus em retidão, isso é devido unicamente, à justiça de outro, a saber, Jesus Cristo. Portanto, toda glória é devida a Ele, e nada a nós.

Finalmente, há a segurança que a doutrina da imputação nos dá. Pois se somos aceitos diante de Deus pela justiça de Cristo, e sendo esta perfeita, não há por que temer pela nossa segurança eterna. Paulo se refere a isso quando diz “agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8:1). No final do capítulo ele pergunta: “quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8:33). Portanto, se cremos na justificação por imputação a nós da justiça de Cristo, não tememos pela nossa salvação eterna.

Soli Deo Gloria

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Israel é o relógio de Deus no mundo?

Por Thiago Oliveira
Essa expressão “relógio de Deus no mundo” é usada por muitos cristãos que vivem antenados no que acontece com o Estado Israelense. Para essas pessoas, o reaparecimento de Israel como nação e os constantes conflitos que ocorrem por aquelas bandas ganham ares escatológicos e são vistos como o cumprimento das profecias bíblicas acerca do fim dos tempos e o retorno de Cristo.
Devido as recentes notícias de conflitos entre palestinos e israelenses, choveu no Facebook campanhas de oração por Israel. Devemos apenas lembrar que do lado da Palestina estão morrendo pessoas, terroristas e não-terroristas, sendo assim, nossas orações devem se estender aos não-israelenses que também estão sendo vitimados. O direito à autodefesa é inegável, não entrarei nesse mérito. Quero apenas alertar a Igreja do Senhor, que o verdadeiro Israel de Deus deixou de ser uma nação há muito tempo. Mais precisamente há dois milênios, quando a Igreja de Cristo foi estabelecida na terra.
Não estou querendo com isso dizer que os fatos históricos são alheios a ação soberana de Deus. Obviamente acredito que a Trindade é quem faz a história, e não há nada desde a criação até o retorno de Cristo que não seja direcionado pela Divindade. Todavia questiono a clareza de algumas interpretações escatológicas. Sinceramente não acredito que certas profecias atribuídas ao futuro de Israel sejam para o Estado formado em 1948 pela ONU e com total apoio estadunidense.
Vejam como existem algumas coisas bem forçadas; li num site os supostos cumprimentos das profecias bíblicas:
PROFECIA: “Também trarei do cativeiro o meu povo Israel; e eles reedificarão as cidades assoladas, e nelas habitarão; plantarão vinhas, e beberão o seu vinho; e farão pomares, e lhes comerão o fruto. Assim os plantarei na sua terra, e não serão mais arrancados da sua terra que lhes dei, diz o senhor teu Deus.” (Amós 9.13-14).
CUMPRIMENTO: Israel é o 3º maior produtor de flores, está entre as nações com o maior IDH do planeta e supera até os EUA no Índice de Esperança de Vida (alguém sabe que índice é esse?).
PROFECIA: “E vos tomarei dentre as nações, e vos congregarei de todas as terras, e vos trarei para a vossa terra.” (Ezequiel 36.24).
CUMPRIMENTO: Após 19 séculos, com a criação do moderno Estado de Israel, milhares de judeus dispersos pelo mundo, saíram de 120 nações para formar o seu país e assim cumprir o que está escrito na Bíblia.

Ambos os profetas falam de coisas que na época eram futurísticas, todavia para nós são acontecimentos presentes nos anais da História. Amós profetizou antes do Cativeiro Babilônico, quando Nabucodonozor destruiu Jerusalém, profanou e saqueou o Templo e levou cativo milhares de milhares de judeus. Ezequiel foi profeta contemporâneo ao exílio. O cativeiro mencionado é o da Babilônia, e o regresso do cativeiro foi cumprido pela geração de Esdras e Neemias. Deus usou os Persas - principalmente Ciro - para punir os babilônicos e remir os israelitas.
Ler estes autores com as lentes da escatologia moderna é cair num erro primário de quem desconhece a história daqueles que outrora foram chamados para serem luzeiros entre as nações, o povo que foi o receptor da Revelação Específica que culminou no ministério de Jesus Cristo. Por isso muito cuidado ao afirmarmos determinadas coisas, pois, estaremos dizendo aquilo que o Senhor nunca disse, acrescentando algo a Palavra. Deslize gravíssimo!
As questões belicosas entre Israel e a Faixa de Gaza envolvem interesses políticos e econômicos que estão aquém das promessas bíblicas. Mas daí você pergunta: Deus prometeu que aquela terra seria dos israelitas ou não prometeu? Sim, prometeu. Contudo não devemos esquecer que a promessa está inserida num contexto aliancista (Ex 19:5). Israel descumpriu a sua parte e por isso não tem que reclamar coisa alguma. Cristo, em certa ocasião, afirmou:
“Portanto, eu vos digo que o reino de Deus vos será tirado, e será dado a uma nação que dê os seus frutos”. Mateus 21:43
E esta nação não é daqui. É a nação de forasteiros composta por cidadãos do Céu. As bênçãos que eram de Israel agora estão em posse da Igreja. E porquê? Porque os israelenses negaram o Messias. Essa negação fez com que pessoas de outros povos se juntassem a mesa com Abraão, Isaque e Jacó (Mt 8:11-12). Somos seus descendentes não por consanguinidade, mas sim mediante a Fé. Não basta descender de Abraão, tem que produzir frutos de arrependimento (Lc 3:8), e estes frutos foram produzidos por todos aqueles que receberam a Cristo como seu Senhor e Salvador, mediante a atuação do Espírito Santo, que é o que convence o homem de seus pecados (Jo 16:8).
Aconselho que diante de tudo o que esteja acontecendo no Oriente Médio, possamos ler os fatos com o olhar de misericórdia do Senhor. No momento em que escrevia esse texto, havia 120 mortes do lado da Palestina e 0 mortes do lado de Israel. E o mais triste nisso é que muitas crianças inocentes estão sendo assassinadas. O relógio de Deus no mundo é a Igreja, e esta ao cumprir o Ide coopera para a volta de Jesus (Mt 24:14). Há “filhos de Abraão” também entre os árabes. É necessário pregar para que o Espírito desperte os eleitos. Atentemos mais para a nossa missão e continuemos a orar por Israel, pela Palestina e pelo mundo inteiro. E que Deus tenha piedade do seu povo (a Igreja).
Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

PAGANISMO CRISTÃO.

CRISTIANISMO ESTA AINDA SEM CONHECER O EVANGELHO,QUANDO SE DIZ VAMOS FAZER PEREGRINAÇÃO,OU PROCISSÃO,OU ROMARIA ATÉ UM TEMPLO LONGÍNQUO COM REPRESENTANTE RELIGIOSO COMO SENDO O HOMEM DE DEUS ,CHEIO DE PODER ETC.COMO SE DEUS AGISSE SÓ LÁ COM MAIS PODER E MANIFESTAÇÃO.QUANDO DIZ ASSIM VOU LÁ AQUELE HOMEM DE DEUS TEM QUE POR A MÃO EM MIM,AQUELA IGREJA TAL DEUS ESTA LÁ. QUANDO SE DIZ VOU LÁ PEGAR A POCEIRA DO DIZIMISTA,ÁGUA UNGIDA,SAL UNGIDO,MANTO UNGIDO ÓLEO UNGIDO ORAR POR FOTOS,IR AO MONTE BUSCAR PODER E REVELAÇÃO,DIA DA CURA DIA DA SALVAÇÃO,DIA DO BATISMO DO ESPIRITO SANTO,DIA DA PROSPERIDADE,CAMPANHAS COM O ROSTO NO CHÃO CAMPANHA MAIS ABENÇOADA DE TODA SUA VIDA QUE VAI MUDAR A HISTORIA DA SUA VIDA,HÁ TANTAS BARGANHAS COM DEUS TANTO COMERCIO,E SUPERSTIÇÃO, PRAGMATISMO RELIGIOSO OS SEGUIDORES DESSES SEGUIMENTOS OU SEJA DESSE EVANGELHO ANÁTEMA ESTÃO COM OS OLHOS FECHADO PARA A GRAÇA DE CRISTO. TEM AINDA AQUELES QUE DIZ,TODO AQUELE QUE POR OS PÉS AQUI VAI SER CURADO E ABENÇOADO,HOMENS QUE SOBEM AO MONTE PARA BUSCAR PODER E PRESENÇA DE DEUS LEVANDO OBJETOS PARA SER CONSAGRADO E VENDER NOS TEMPLOS PARA OS FIÉIS, OUTROS VENDE COMO FÁSIA NA IDADE MÉDIA INDULGENCIA, QUAL CRENÇA PAGÃ AINDA ESTA VIVA NO MEIO CRISTÃO ATÉ OS TEMPOS DE HOJE. MAS LOUVO A DEUS QUE AINDA TEM CRISTÃOS VERDADEIROS, EM TODO MUNDO. Valdir Davalos.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

VEM E OUÇA

Muitos tem usado esse texto de Romanos para criar proibições de certos alimentos e de certas bebidas ,e outras coisas mais por Ex: musicas ETC.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Caio Fabio

A Lei morreu em Cristo, daí a Teologia Moral de Causa e Efeito dos Amigos de Jó não passar
de um Zumbí que perambula pela Terra vampirizando as almas dos homens que julgam ainda
haver barganhas a fazer com esse encosto espiritual.

A doutrina da imputação

E, se algum dano te fez ou se te deve alguma coisa, lança tudo em minha conta. ...